quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

"CURE A SI MESMO" - As Ervas - Plantas - Vegetais - Frutas - Curam - III - RESUMO -


ETNOBOTÂNICA - III

PLANTAS MEDICINAIS – HISTÓRIA – III – "RESUMO"

Etnobotânica8

O homem, para ampliar seu conhecimento, usou desde a sua Pré-História, a intuição e analogia, fazendo assim, um caminho sábio para descobrir a utilidade de cada planta.

O uso das espécies vegetais com fins de tratamento e cura de doenças e sintomas, aparece desde o início da civilização, onde o homem despertou para um longo percurso de manuseio dos recursos naturais em seu próprio benefício (DI STASI, 1996).

O testemunho mais antigo de que se tem conhecimento da utilização das plantas pelo homem são restos de pólen de plantas medicinais encontrados num jazigo arqueológico em Shanidar (atual Iraque), com cerca de 60 mil anos, correspondendo à época do Homem Neanderthal, (LIETAVA, 1992 - BONET, 1998).

Shanidar - Iraque1

Esses 60 mil anos de história também se podem confirmar através do estudo de História (2002), onde fala que desenhos de plantas, folhas e órgãos humanos, encontrados em uma região do sul da Ásia, indicando uma correspondência terapêutica confirmando a utilização de plantas medicinais.

Registros sobre uso de plantas medicinais datam aproximadamente 3000 a.C., quando o Imperador Sheng-Nung utilizou uma série de plantas em seu próprio corpo, para saber o efeito que provocavam, escrevendo assim, um tratado denominado PEN TSAO - (“A Grande Fitoterapia”), uma Farmacopéia que relacionava todo seu saber sobre o uso de plantas medicinais, onde foram mencionadas 252 plantas. (ELDIN; DUNFORD, 2001; TEIXEIRA, 2007).

Página - Pen Tsao - Li Shizen2

Página - Pen Tsao - Li Shizen1
Entre 2980 e 2900 a.C., o primeiro médico egípcio Imhotep, grande curandeiro, realizava seus preparados mágicos com ervas medicinais.

Além desses registros foram encontradas placas de barro de 3000 a.C., que comprovavam importações de ervas para Babilônia.

Os escritos babilônicos contam com 1400 plantas. (TEIXEIRA, 2007).

Os hindus tratavam as ervas como “filhas prediletas dos deuses”. (TEIXEIRA, 2007).

Em 2798 a.C., o Imperador Huang Ti, formalizou a Teoria Médica no Nei Ching.

Em 2300 a.C., Os egípcios, assírios e hebreus cultivavam diversas ervas e traziam outras de suas expedições.

As plantas eram escolhidas, muitas vezes, pelo seu cheiro, pois se acreditava que seus aromas afastassem os espíritos relacionados às enfermidades, ou ainda para embalsamar cadáveres, a fim de evitar a decomposição. (MARTINS, 2000).

Em 2000 a.C. aconteceram trocas de ervas, ginseng, de Babilônios com a China.

No século XIII a.C., Asclépio, Curandeiro Grego, concebe o Esculápio de Cos, fundando o primeiro spa que se tem conhecimento, em Epidauro, que era baseava em banhos, chás, jejum, uso da música como terapia, jogos e teatros.

Asclepio1

Tales de Mileto e Pitágoras compilaram essas receitas. (OKA; ROBERTO, 2000).

Devido a eventos históricos, como a ascensão e queda do Império Romano e o fortalecimento da Igreja Católica os estudos fitoterápicos estagnaram-se, muitos registros foram perdidos e esquecidos, voltando a ser recuperados em traduções árabes triunfando novamente no século XVI. (MARTINS, 2000).

Nesse intervalo apareceram alguns escritos dispersos, como The Leech Book of Bald and Cild, escrito por um Curandeiro Anglo-Saxão, que misturava conhecimentos escritos por Dioscórides e receitas de magia e medicina do Oriente,

Em 400 a.C., Diocles, escreveu, no Ocidente, o primeiro livro sobre ervas, sendo os gregos os primeiros a sistematizar os conhecimentos adquiridos.

De 460 a 361 a.C., Hipócrates, conhecido como “Pai da Medicina”, reuniu em sua obra Corpus Hipocratium” a síntese dos acontecimentos médicos de seu tempo, indicando, para cada enfermidade, o remédio vegetal e seu respectivo tratamento. (MARTINS, 2000).

Livro - Corpus Hippocratium - Hipócrates1Hippocrates2




       
















Entre 372 e 285 a.C., Teofrasto, em sua História das Plantas, catalogou 500 espécimes vegetais.

Teofrasto1

Theophrastus2

O tratamento de algumas enfermidades realizadas por Galeno, com o uso de ervas importadas da China e a produção dos seus escritos com a Farmácia galênica. (MARTINS, 2000).

Galeno1
Galeno (200 – 130 a. C.) (Pai da Farmácia)2















Galeno (200 – 130 a. C.) (Pai da Farmácia)3
Galeno (200 – 130 a. C.) (Pai da Farmácia)

Galeno (200 – 130 a. C.) (Pai da Farmácia)1

No século I a.C., Crateus, publicou a primeira obra com ilustrações sobre plantas medicinais, O Rhizotomikon”.

No século I da Era Cristã, Dioscórides, médico grego, enumerou, em seu tratado, De Matéria Medica mais de 500 plantas medicinais e seus usos. (LORENZI; MATOS, 2008).

Dioscorides - Matéria Médica1
Dioscorides3        



     

























O médico de Nero, Pelácius, também forneceu uma importante contribuição, quando escreveu sobre seus estudos realizados sobre plantas medicinais, incluindo mais de 600 espécies diferentes que constituíram referência em 15 séculos.

Ainda neste mesmo século a colaboração de Plínio, o Velho, que catalogou em sua obra com 37 volumes sobre a História Natural, onde em oito deles descreve o uso de plantas medicinais pelos romanos. (JORGE, 2010).

Plínio - O Velho - História Natural1
Plínio - O Velho - (23 a 79 dC)2       





























No início da era cristã, na Índia, destacou-se o texto “Vrikshayurveda”, de Parasara, autor de muitos livros sobre plantas medicinais.

Livro - Vrikshayurveda - The Science of Plants2
Livro - Vrikshayurveda 1














Livro-Vrikshayurveda-The-Science-of-Plants







No século VII, no governo da dinastia Tang, foi impressa e distribuída uma revisão do Cânone de Ervas, de Shen-Nung.

Livro - Cânone das Ervas - Sheng-Nung1
Livro - Cânone das Ervas - Shen-Nung

Shénnóng ou Shen-Nung2
Shénnóng ou Shen-Nung

No século X e no século XI, alguns mosteiros na Europa mantiveram a literatura medicinal. (CUNHA, 2008).

De 1197 a 1248, Abd-Allah Ibn Al-Baitar, um árabe, o maior especialista em botânica aplicada à medicina, produziu uma obra valiosa, Corpus simplicium medicamentarium”, caracterizando mais de 2000 produtos, cerca de 1700 de origem vegetal. (CUNHA, 2008).

Abd-Allah Ibn Al-Baitar1
Ibn Al-Baitar (1197 – 1248)2      











                                 Ibn Al-Baitar - (1197 – 1248)

No século XIII, surgem as Escolas de Salerno e Montpellier e, a partir delas, as universidades, reservadas a monges e religiosos, produzindo uma importante obra sobre plantas medicinais o Regimen sanitatis salernitatum.

Em 1484 foi publicado o primeiro livro sobre cultivo de plantas medicinais, baseados em escritos antigos.

Em 1542 a grandiosa obra de Leonardo Fuchs, Historia stirpium, onde vários outros livros foram publicados em toda Europa, com a invenção da imprensa, sendo elaborada, na Alemanha, a primeira farmacopéia do Ocidente, contendo uma lista de 300 espécies.

Leonhard Fuchs - (1501-1566) - Historia Stirpium1

Leonhard Fuchs - (1501-1566) - História Stirpium2
Leonard Fuchs - (1501-1566) - História Stirpium

Organizaram-se, nesse período, jardins botânicos em várias universidades e os tratados botânicos denominados “herbários”. (JORGE, 2010).

Em 1543, em virtude da ascensão da fitoterapia surge, pela difusão da publicação dos herbários, cátedra botânica na Escola de Medicina e Pádua.

Herbarium2
Herbarium1  











De 1550 a.C., Os Papiros de Ebers, do Egito, constituem um dos herbários mais antigos que se tem conhecimento, que ainda está em exibição no Museu de Leipzig, na Alemanha, contendo 125 plantas e 811 receitas. (ALZUGARAY, 1993).

O papiro contém mais de 700 fórmulas mágicas e remédios populares além de uma descrição precisa do sistema circulatório.

Os Papiros de Ebers - Egito1
Os Papiros de Ébers - Egito

Nesse mesmo período os médicos indianos desenvolviam técnicas cirúrgicas e de diagnósticos avançados, onde usavam centenas de ervas em seus tratamentos.

Em 1551 foi escrito o primeiro texto em inglês Nieuwe Herball, de William Turner, incansável, viajante e grande coletor de plantas. (HOFFMANN, 1992).

Em 1563, Garcia da Orta, português que viveu na Índia, edita em Goa a obra “Colóquios dos Simples, das Drogas e Cousas Medicinais da Índia”. (JORGE, 2010).

Em 1578, O “Compêndio de Matéria Médica, que reuniu todos os conhecimentos existentes no campo da farmacologia, contendo 1954 prescrições médicas, relacionando mais de 1000 drogas de origem vegetal, animal e mineral, distribuídos em 16 capítulos, foi completado por Li-ShiZhen, (TEIXEIRA, 2007).

Compêndio de Matéria Médica  - Li Shizhen (1518-1593 dC), durante a dinastia Ming da China. Esta edição foi publicada em 1593.-

Em 1579, teve início no Brasil, a influência europeia, com a vinda dos primeiros padres da Companhia de Jesus, chefiados por Nóbrega, os quais chegaram com Tomé de Souza para catequizar os índios.

Foram, assim, produzidas as primeiras notificações fitológicas, tendo sido atribuídas ao Padre José de Anchieta e a outros jesuítas, pois formularam receitas chamadas Boticas dos Colégios, à base de plantas para o tratamento de doenças. (JORGE, 2010).

Padre José de Anchieta2
Padre José de Anchieta3  

















Segundo Camargo (1998), a princípio os medicamentos vinham do reino já preparados, mas as piratarias do século XVI e as dificuldades da navegação impediram, com frequência, a vinda dos navios de Portugal.

Com isso a necessidade local obrigou os jesuítas a terem provisão de medicamentos e também logo a procurarem os que a terra podia fornecer, com suas plantas medicinais, que começaram a estudar e utilizar em receitas próprias como as do irmão Manuel Tristão, em 1625, que foi o primeiro boticário ou farmacêutico na Companhia do Brasil, onde deixou uma breve Coleção de Receitas Medicinais, conhecida por Purchas. (JORGE, 2010).

Em 1597, John Gerard, incluiu em seu “Herbário” de 1660 páginas, plantas provenientes do Novo Mundo e preservou os conhecimentos botânicos dos monges medievais. (JORGE, 2010).

Na América o primeiro herbário o Manuscrito Badanius, herbário asteca, do séc. XVI, em Nahuat.

Manuscrito Herbário Badanius - Asteca1

Manuscrito Herbário Badanius Asteca3Manuscrito Herbário Badanius Asteca2
Os primeiros imigrantes trouxeram para as Américas mudas e sementes de ervas preferidas, como o confrei (Symplytum officinale L., a aquiléia, Achillea millefolium L. e a camomila, Matricaria recutita), que logo floresceram juntas às ervas nativas.

No século XVII foram escritos o tratado “Herbário Completo”, do inglês Nicolas Culpeper, relacionando plantas e planetas e ainda dois importantes livros sobre botânica e seus usos medicinais, por John Parkison, Thetrum Botanicum e Paradise in Sole Paradisus Terrestris. (JORGE, 2010).

No século XVII, vale lembrar que os primeiros estudiosos que aportaram no Novo Mundo, deixaram fontes preciosas de dados da flora e fauna americanas. (AMOROZO, 1996).

Em 1779 e 1790, Frei Veloso faz um levantamento da capitania do Rio de Janeiro e arredores, resultando os livros Plantas Fluminensis e O Fazendeiro do Brasil”. (JORGE, 2010).

Frei José Mariano da Conceição Veloso - Livro  Flora fluminensis (1825) 1
Frei José Mariano da Conceição Veloso - Livro O Fazendeiro do Brasil - (1798).3  
Frei José Mariano da Conceição Veloso2
Frei José Mariano da Conceição Veloso

No século XVIII “Virtudes de las Hierbas Britânicas foi um tratado escrito por Sir John Hill, um trabalho inédito e bem ilustrado.

Sir John Hill, (1716-1775) - “Virtudes de las Hierbas Britânicas”1
Sir John Hill, (1716-1775) - “Virtudes de las Hierbas Britânicas”2 
Sir John Hill, (1716-1775) - “Virtudes de las Hierbas Britânicas”

No final desse mesmo século, Samuel Hahnemann deu a conhecer seus trabalhos sobre a Homeopatia, um tratamento das enfermidades com pequenas dosagens de substâncias derivadas de plantas, aos quais eram ministradas aos pacientes como forma de vacina. (JORGE, 2010).

HOMEOPATIA1
Homeopatia2  












Entre 1817 e 1820, chegou ao Brasil Karl Friedrick Von Martius, em expedições científicas no Rio de Janeiro, depois em São Paulo, passou vários meses em Minas Gerais, adentrou o sertão e fez contato com índios antropófagos.

Pelo rio São Francisco, chegou ao interior de Goiás, cruzou a Bahia e Pernambuco.

Esteve no Piauí e no Maranhão e, de Belém do Pará, subiu o rio Amazonas e, de Santarém, embarcou de volta para a Alemanha, completando uma viagem, de três anos, onde coletou cerca de 6.500 espécies de plantas, produzindo 20.000 exsicatas, além de um rico material etnográfico e filológico.

Em 1826, foi nomeado professor de botânica da universidade de Munique e curador sênior do Jardim Botânico (1832).

De 1840 a 1906, iniciou a monumental Flora Brasiliensis” -  que contém tratamentos taxonômicos de 22.767 espécies, a grande maioria de angiospermas brasileiras, reunidos em 15 volumes divididos em 40 partes, num total de 10.367 páginas, com a participação de 65 especialistas de vários países. (MARTIUS, 2010).

Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868)4
LIVRO - CARL FRIEDRICH VON MARTIUS3  
Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868)

Carl Friedrich Philipp Von Martius, ( 1840 a 1906)1
Carl Friedrich Philipp Von Martius, ( 1840 a 1906)

A exploração de plantas medicinais está relacionada, em grande parte, à coleta extensiva e extrativa.

Apesar do volume considerável de exploração das várias espécies medicinais na forma bruta ou de seus subprodutos, as pesquisas básicas ainda são incipientes.

Na cultura tradicional está inserido um saber único em relação a métodos alternativos de cura, que vem se desgastando com a invasão e influência direta da medicina tradicional e pelo comodismo das pessoas mais jovens, diminuindo a cada dia a disseminação da cultura fitoterápica.

Conforme a visão da época, as informações coletadas in loco apresentavam-se de forma fragmentada, distanciadas no contexto real de onde haviam sido extraídas, mesmo com o desenvolvimento das ciências naturais e da antropologia, o estudo do uso e conhecimento de plantas por grupos humanos de diferentes culturas continuou compartimentados. (AMOROZO, 1996).

Sem conhecimento em antropologia, os botânicos deixavam de anotar dados relativos sobre a forma e o significado do emprego das plantas.

Por sua vez, os antropólogos, interessados, sobretudo nos sistemas de classificação e no referencial simbólico calcado em elementos da natureza, e sem familiaridade com os métodos de investigação em botânica e ecologia, deixavam de coletar material e informações importantes para a identificação e o conhecimento ecológico das espécies utilizadas da flora local. (AMOROZO, 1996).

Os Alquimistas impulsionaram a arte de curar com as plantas, lançando as bases da medicina natural, pois ressaltavam a importância de seguir-se um ritual na preparação de ervas a serem utilizadas na terapia e que o médico deveria estimular a resistência do organismo, utilizando remédios naturais para atingir o máximo de capacidade de cura do próprio doente. (MARTINS, 2000).

Alquimia6

Tábua de Esmeralda1                                                                   
Alquimia7                                                                        
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Os Índios, o Pajé ou Feiticeiro utilizava raramente algumas plantas entorpecentes para sonhar com espíritos que lhe revelassem a erva ou o modo de curar um enfermo e também pela observação de animais que procuravam determinados tipos de plantas quando se encontravam doentes. (JORGE, 2010).

Os Indígenas Brasileiros acreditavam em fatores sobrenaturais, quando se tratava de doenças sem causa externa identificável, como ferimentos, fraturas e envenenamento.

1)Assurini, 2)Tapirapé, 3)kaiapó, 4)Tapirapé, 5)Rikbaktsa e 6)Bororó
1)Assurini, 2)Tapirapé, 3)kaiapó, 4)Tapirapé, 5)Rikbaktsa e 6)Bororó

Os Pajés associavam ao uso de plantas em rituais de magia e seus tratamentos eram, assim transmitidos, oralmente de uma geração a outra.

Pajé Sagrado1
Livro - Índios Brasileiros - Medicina Sagrada1 - (1844)  

















Na Ásia, América Latina, África e Índia o intensivo uso de plantas medicinais como principal forma de medicação, devido às suas propriedades farmacológicas é uma atividade comum. (SCHMOURLO, 2005).

De acordo com a estimativa atual pela Organização Mundial de Saúde, em muitos países desenvolvidos uma grande porção da população faz uso de remédios da Medicina Tradicional, especialmente as plantas medicinais.

Medicina Tradicional3
SHOPPING - Medicina Tradicional Chinesa2  


Embora um acesso fácil à medicina moderna esteja disponível nesses países, o uso de plantas medicinais mantém sua popularidade por razões culturais e históricas.

Por outro lado, nos países em desenvolvimento 65 a 80% da população depende exclusivamente das plantas medicinais para os cuidados básicos em saúde. (AGRA; FREITAS; BARBOSA-FILHO, 2007).

Martin (1995) relata que quanto mais se sabe sobre o contexto em que as plantas medicinais são empregadas, maior a probabilidade de fazer-se uma avaliação correta da efetividade do seu uso.

Daí ser vantajoso trabalhar junto com áreas afins como botânica, farmacologia, antropologia, ecologia, economia e linguística.

Ao contrário, as plantas são consideradas tóxicas quando ingeridas ou em contato epidérmico com o homem ou animal ocasionam danos na saúde e vitalidade desses seres.

Todo vegetal, guarda em suas propriedades, caracteres tóxicos, podendo causar um desequilíbrio funcional e em resposta desenvolver no paciente, sintomas de intoxicação.

Di Stasi (1996) comenta ser interessante que o estudo de plantas medicinais não fique restrito a um conglomerado de profissionais de diferentes áreas, mas que ocorra efetivamente uma inter-relação e uma troca de informações.

Pois, à medida que se desconsidera as informações de determinadas áreas pode-se afetar a credibilidade dos resultados obtidos em outras.

Sendo a Fitoterapia um tratamento de doenças com o uso de plantas medicinais que consiste na busca do equilíbrio e da saúde como um todo este pode ser feito de forma curativa.

FITOTERAPIA2

É mais eficiente, se for feito de forma preventiva.

A grande vantagem é a obtenção da saúde com menores efeitos colaterais, melhorando a qualidade de vida com menor custo e melhor eficiência dos medicamentos alopáticos quando usados conjuntamente com fitoterápicos.

A possibilidade de implementação da fitoterapia no sistema público de saúde vem sendo considerada desde 1988 pela Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação (CIPLAN) e faz parte das diretrizes da I Conferência Nacional de Assistência Farmacêutica. (CNMAF, 2003).

A utilização de plantas no tratamento de doenças, no Brasil, apresenta fundamental influência das Culturas Indígenas, Africanas e Européias.

A cultura brasileira sofreu sérias influências desta mistura de etnias, tanto no aspecto espiritual, como material, fundindo-se aos conhecimentos existentes no país.

A base da formação da medicina popular é hoje retomada pela medicina natural, que aproveita seu conhecimento prático dando-lhe, porém, um caráter científico na tentativa de restituir a saúde ao ser humano, de uma forma natural. (BORBA; MACEDO, 2006).

No Brasil, há crescente interesse e busca pela medicina tradicional e pela Fitoterapia que, segundo Almeida (2003), ocorre devido à vigente carência de recursos dos órgãos públicos de saúde e incessantes aumentos de preços nos medicamentos alopáticos, bem como dos efeitos colaterais apresentados por alguns destes medicamentos. (MAIOLI-AZEVEDO; FONSECA-KRUEL, 2007).

“O uso de plantas para fins medicinais está em ascensão devido à ineficiência dos antibióticos resultante do uso inadequado”.

Anualmente a indústria lança novos antibióticos pelo fato de muitas cepas de bactérias já estarem resistentes aos antigos.

Além disso, o uso de plantas medicinais participa da preservação do ambiente, visto que os efluentes humanos, fezes e urina que são jogados no esgoto, são biodegradáveis.

Essa prática é favorável à biodiversidade, pois as plantas por não incorporarem a química dos medicamentos deixam de ser “daninhas”, e transformam-se em recursos naturais a serem preservados, diminuindo ainda a poluição com o uso de agroquímicos e ampliando a busca da agricultura orgânica, resgatando, assim, a cultura popular.

O conhecimento tradicional sobre o uso das plantas é vasto e, em muitos casos, é o único recurso para tratamento da saúde que as populações rurais de países em desenvolvimento têm ao seu alcance.

Alguns autores propõem-se a estimar o valor de uso das plantas com a finalidade de apontar as espécies e famílias de preferência da população humana no universo vegetal. (SANTOS; LIMA; FERREIRA, 2008).

No entanto, à medida que a relação com a terra se transforma pela modernização do campo e o contato com a sociedade nacional se intensifica, seja pelos meios de comunicação ou por agentes sociais, a rede de transmissão do conhecimento sobre plantas pode sofrer alterações.

Portanto, resgatar este conhecimento e suas técnicas terapêuticas é uma maneira de deixar registrado um modo de aprendizado informal que contribui para a valorização da medicina popular, além de gerar informações sobre a saúde da comunidade local. (PILLA; AMOROZO; FURLAN, 2006).

A vasta gama de informações sobre o uso de centenas de plantas como remédios, em todos os lugares do mundo, leva à necessidade de se desenvolver métodos que facilitem a enorme tarefa de avaliar cientificamente o valor terapêutico de espécies vegetais. (ELISABETSKY, 2001).

A utilização das plantas pela população tem como a evidência de sucesso a pesquisa científica, que traz o conhecimento químico farmacológico e utilização terapêutica. (MATOS, 1997).

Com isso, a fitoterapia passa a ser um recurso utilizado para prevenção e tratamento de doenças através de uma variedade de plantas medicinais existentes em nossa flora, sendo a forma mais antiga e fundamental de medicina da terra.

Diante disso é importante que as pessoas saibam sobre as informações de cada planta existente na localidade onde vivem, como por exemplo, a indicação, a parte utilizada, qual a dose necessária para combater uma determinada patologia, entre outras informações importantes, para que as mesmas possam utilizá-las com uma margem de segurança, sem possuir um risco de vida maior.

A busca por novos fitoterápicos também acabou retroalimentando a pesquisa botânica no Brasil, que vislumbrou na prospecção de potenciais produtos naturais de uso farmacológico uma ótima justificativa para intensificar seus trabalhos.

Como já ocorrera nos primórdios das duas ciências, a fitoterapia e a botânica voltaram a ser vistas como aliadas e passaram a cooperar para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro. (LORENZI; MATOS, 2008).

Assim, o estudo de plantas medicinais, em uma abordagem Etnobotânica ultrapassa os ponteiros da Biologia, atingindo o universo interdisciplinar necessário à compreensão dos fatos e dos saberes manifestados.

Medicina Tradicional2jpg
Plantas - Ervas - Vegetais1
Etnobotânica - Marcelo Rigotti1                                   Etnobotânica6

              LIVRO DA CURA DO POVO HUNI KUIN - DO RIO JORDAO - UNA ISI KAYAWA
                                                     
Etnobotânica4